segunda-feira, 22 de junho de 2009


Este Velho dá-se pelo nome de Portugal.

Acabo agora de pensar como sou e como podia ser diferente.

A adolescência é difícil de "passar" sem crises e sem medos, mas a adolescência gay supera isso tudo (pela negativa).

Apareces sem eu te convidar, mas mesmo assim eu não tenho forças para te renegar, pois, apoderas-te do meu corpo e da minha alma.

Mesmo no nosso vizinho "liberal" as coisas não são exactamente lineares

Ter fome, sede, calor, frio, cansaço, sono, medo, desejo, prazer ou dor, enfim.. tudo é natural, natural e observável em todo o reino animal, havendo para cada espécie as suas especificidades. Na nossa sociedade há uma presença forte da cultura judaico-cristã onde o prazer é pecado, nos homens, embora perdoável, mas ... nas mulheres... não existe!

Não é altura de serem mobilizados os meios educativos para ajudar a transformar a masculinidade em algo que não tenha que ver com o sexismo, a homofobia ou com o exercício do poder mulheres, jovens e crianças?

Tengo 24 años, soy de Sevilla y desde los 14 no he ocultado a nadie mi opción sexual.

Lamento meu querido amigo não te ter dado ouvidos mesmo depois de ter sido durante anos massacrado

Dentro dos temas esquecidos, destacamos os Direitos Humanos e a Igualdade, que nem como "flores na lapela", ou "discursos para encher" são (ab)usados

Nesta data!? E então o resto do ano, onde pára o nosso lado humano, solidário e fraterno?

"O mundo só vai prestar

para nele se viver

No dia em que a gente ver

Um Gato maltês casar

Com uma alegre andorinha

Saindo os dois a voar

O noivo e sua noivinha

Dom Gato e Dona Andorinha"


Jorge Amado"A Andorinha Sinhá e o Gato Malhado..."

Mas nos internatos e quejandos, onde se encontram essas tais figuras parentais equilibradas e normais? Em gente como o inefável Dr. Villas-Boas? Em gente como a sagaz Dra. Catalina Pestana que, quando entrou para a direcção da Casa Pia, prometeu que acabariam os abusos sexuais porque iria dar preferência a gente casada e com filhos para trabalhar como funcionários dessa instituição, esquecendo, muito convenientemente, que 3 dos "arguidos" da novela Casa Pia são casados e com filhos (Carlos Cruz, Hugo Marçal e Manuel Abrantes)?

Ser homossexual não é sinónimo de leviandade, nem deveria estar associado à ideia, única e exclusivamente do acto sexual em si, como acontece na sociedade onde eu também pertenço. Nunca a homossexualidade numa primeira abordagem ao consciente é vista como o Amor que une duas pessoas, nunca é verdadeiramente aprovada, apenas compreendida,... quando ocorre.

Por vezes é a única forma de não nos sentirmos sozinhos num mundo onde temos de andar escondidos.

vamos marchar pelo orgulho em estarmos cá fora e de cabeça levantada apesar da discriminação, vamos dar a cara colectivamente por todos e todas os que não podem dá-la, e para que ninguém no futuro seja forçado a dar a cara para que os direitos humanos mais básicos sejam reconhecidos, valorizados e respeitados. Porque é isso a Marcha, e é desse Orgulho que falamos. Saibamos com modéstia honrá-lo melhor do que andamos a fazer, e fazer justiça à nossa própria história e esforço activista e aos frutos que ele já deu.

E afinal, que se passou no bar "Stonewall Inn" há 40 anos? Considerado por muitas pessoas o início das reivindicações dos direitos das pessoas homossexuais, foram três dias de tumultos e manifestações contra a perseguição e abuso por parte das forças policiais contra a população Gay. Claro que a revolta de Stonewall não foi, nem nunca poderá ser considerada como o despoletar de todo um movimento que alastrou a todo o mundo. Infelizmente, e apesar dos inúmeros autores que afirmem que sim, Stonewall não passou de uma continuação da revolta de Compton´s Cafeteria, ocorrida dois anos antes. Tal como a ridícula insistência que Thomas Beatie é o primeiro homem transexual grávido, também Stonewall não foi a primeira tentativa de dar resposta à repressão existente na época nos EUA.

Realizou-se sábado a 10ª Marcha do Orgulho Gay de Lisboa (MOL). Partiu do jardim do Príncipe Real pouco depois das 18:00 uma massa de pessoas, cerca de 2000, que reivindicaram direitos para gays, lésbicas, bissexuais e transgéneros.

Este ano o foco foi no termo "Igualdade", uma referência ao "Movimento Pela Igualdade no acesso ao Casamento Civil".

A MOL foi organizada por um grupo de associações e colectivos diversos que inclui além de entidades dirigidas mais especificamente para os GLBT como Clube Safo, Rede Ex Aequo, ILGA Portugal, Panteras Rosa, Não Te Prives, Associação Cultural Janela Indiscreta e Rumos Novos outras entidades que não tem como foco principal as questões GLBT como os Médicos pela escolha que nasceu com o referendo à interrupção voluntária da gravidez e que mantém as suas actividades, a Associação Pelo Planeamento da Família, Grupo Português de Activistas Sobre Tratamentos de VIH/SIDA, Rede Portuguesa de Jovens Para a Igualdade de Oportunidades entre Mulheres e Homens, SOS Racismo e UMAR.
A marcha desceu a Rua de São Pedro de Alcântara, em direcção ao Largo de Camões, Rua Garrett, Rua do Carmo, terminando na Praça do Rossio, onde os representantes dos diferentes colectivos manifestaram alguns anseios, e ideias de como o nosso país devia tratar as questões LGBT em geral. A lamentar a falta de meios técnicos que impossibilitou uma correcta audição dessas ideias pelas muitas pessoas que se espalharam pela praça a conversarem em ambiente descontraído de final de tarde.

Paulo Vieira da Não Te Prives, uma associação com sede em Coimbra, era um dos que coordernava as movimentações, e mostrava-se satisfeito com a adesão, segundo Sérgio Vitoriono das Panteras Rosa a "adesão deve ter ficado acima das 2000 pessoas" sendo assim "a maior marcha do orgulho de sempre em Portugal".