sábado, 5 de fevereiro de 2011




Era doce a solidão
Se vivida só por nós
Mais um pouco dizes: não!
Quem dera estármos a sós...


Eu quero acesa a tua luz de presença


Vim trazer-te às escuras, nosso mapa de volta


O tempo que te foge a sete pés
O tempo que no fim não vale nada.


Também eu já
Estive sozinho
Entre tanto fel
Erva daninha


Brinda, por ti, por hoje e por enquanto


Finge, esquece, engana o desencanto


Também eu sei
Da raiva a nascer
Por tantos gritos
Ter que conter...






Também eu já
Senti não haver
Lugar ou espaço
Esperança para ter...


Sei lá!
Tanta sorte só me pesa
De viver na incerteza
Serei eu capaz de ser


Eu não sei
Viver a preto e branco, não


Eu já sei,
Nasci depois de tudo, de tudo


A minha sorte
Pode também ser tua
Eu vou seguindo regando o coração


Há gente rara que és tu
Há gente rara que sou eu


E deixar-me devorar pelos sentidos
E rasgar-me do mais fundo que há em mim
Emaranhar me no mundo e morrer por ser preciso
Nunca por chegar ao fim 


Ninguém disse
Que o riso nos pertence
Ninguém prometeu nada
Fui eu que julguei que podia arrancar sempre 
Mais uma gargalhada


Ninguém disse
Que os dias eram nossos
Ninguém prometeu nada
Fui eu que julguei que podia arrancar sempre mais uma madrugada



O corpo perdido
A alma naufragada


Para onde correr?
A quem abraçar?
Que ferida esquecer?
Por quem caminhar?


Mas tu só vais conseguir
Esta terra possuir
Se a pintares com
Quantas cores o vento tem


O que é que importa
A cor da pele de alguém




 Já ouviste um lobo Uivando no luar azul ?


Tu dás valor apenas às pessoas
Que acham como tu sem se opor
Mas segue as pegadas de um estranho
E terás mil surpresas de esplendor


Se tu é que não vês em teu redor
Tu pensas que esta terra te pertence




Mas eu não posso crer
Não posso acreditar


Só por mais um dia


Vem entender qual a cor do coração


Sente o calor no olhar de quem se dá


Uma vertigem de sentir
Só por mais um gesto
Que rasgue sem te ferir


Sou eu...

A falta que me fazes...
A falta que me fazes...
A falta que me fazes...


Quem te fala de viagens sempre á aventura?
Quem te põe em verso, como uma pintura?
Quem te vê perder, quem te vê ganhar?
Quem fica com frio se não te esperar?

Sou eu...
Sou eu...


Quem te vê partir, quem te vê voltar?
Quem chama por ti antes de chegar?
Quem te conta histórias para adormecer?
Quem te acorda antes do sol nascer?

Sou eu...
Sou eu...


Vagueias pela casa a horas mortas,
Num bailado de sombras, quase ausente, 
Teus olhos franquiando essas portas 
Que se abrem sobre a vida da gente.


Da tua boca bebo a imensa calma
Que embala e adormece o coração.


Quem pode recusar-te a confissão?


Quem pode assim esconder de ti a alma?


Discreto, misterioso e subtil,
Nos gestos, nas palavras, no olhar.


Toda a tua vida é um segredo,
Guardado no silêncio dos teus passos


Encontrar-me aqui
Guardar um segredo


A ver um gesto
P'ra regressar
Ter sempre no fim
Uma estrela
P'ra me guiar


Procuro um lugar
Onde anoitecer
A tocar o céu
Procuro um luar
Para lembrar o rumo
De um sonho meu


Quando vou por caminhos
Que só sei
Seguir por ti


Voltar de um sonho
Tornar a ver
Onde começo
Sem me perder


Quando vou por sentidos
Que só sei
Seguir em ti


Sentir o mundo
Em cada olhar
Pedir-te um gesto
Para me encontrar


antes de todas as mágoas 
havia o mesmo luar 
só eu cumpri a promessa 
de cá voltar 


sento-me em frente ao mar 
olho para longe do fim 
perdem-se barcos na espuma 
não sei é dentro de mim 


É um lugar encantado 
entre o mundo e a solidão 
onde se espreita estrelas 
e a vida cabe nas mãos 


Eu chorei baixinho
Para não me ouvir
Não vá o meu coração saber
Que eu vou-me embalando´
Só pra não sentir
A dor que tenho por te não ter


Eu falei baixinho
Para ninguém ouvir
As palavras foram
Com o vento
Eu vou-m embalando
Só pra não sentir
Que os segredos
Vão ganhando ao tempo