quarta-feira, 25 de abril de 2012


Não me obriguem a vir para a rua
Gritar
Homem que olhas nos olhos
que nao negas
o sorriso a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
Gente igual por dentro
gente igual por fora
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também

Só no meu abrigo
Aí terei meu tecto
E meu postigo

Que amor nao me engana
Com a sua brandura

Por trás daquela janela
Faz anos o meu amigo
Um homem novo

Já o tempo
Se habitua
A estar alerta

Nao há luz que nao se veja

Enquanto há força
De nao saber o que me espera
Tirei a sorte à minha guerra

Mas ninguém sabia ao certo
Como se faz um canalha
Se a memória me nao falha
Tinhas o mundo na mao
Alguma gente enganaste
A fadiga é um dom da natureza
Chiça!
Menino, nao és boa rés
Eu fui ver o meu benzinho
Quem poderá domar os cavalos do vento
Quem poderá domar este tropel
Do pensamento à flor da pele?
Nem perguntes pelo nome


Se hei-de morrer amanhã
morra hoje tanto conta
Adeus amigos
Nao voltamos cá
O mar é tao grande
E o mundo é tao largo


Muitos sóis e luas irao nascer
Mais ondas na praia rebentar
Já nao tem sentido ter ou nao ter


Eu lá na serra nao sou ninguém
Se fores prà guerra eu irei também
Homem de grande firmeza
Ali está o rio
Dois homens na margem estao
E por modéstia me ama
A longa noite de insónia
As voltas na mesma cama
Liberdade liberdade
Há quem viva
Sem dar por nada


Teu corpo pertence à terra que te abraçou



Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro
Ainda bem que é verdade
Ainda bem que é mentira