quarta-feira, 15 de maio de 2013


A Verdade deve ofuscar gradualmente
Ou cada homem ficará cego




Preciso ser um outro
para ser eu mesmo
Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo


Longe
os homens afundam-se
Fui sabendo de mim
por aquilo que perdia

pedaços que saíram de mim
morre-se tudo
quando não é o justo momento

e não é nunca
esse momento

à ternura pouca
me vou acostumando






E toco-te
para deixares de ter corpo
e o meu corpo nasce
quando se extingue no teu.


O amor nos condena








A mim foste mais bálsamo porém
do que as curas balsâmicas que tem.


Perguntaste se eu amo o meu amigo?

Como é que a solidão hei-de ir medindo?
É por sermos iguais que nos esquecemos
Que foi do mesmo sangue,
Que foi do mesmo ventre que surgimos.

Não eram meus os dedos que tocaram
Tua falsa beleza, em que não vi
Nossos corpos pensantes se entrelacem

Meu perfume de tudo minha essência

Dói-me o sangue vencido a nódoa negra
punhada no meu canto.
Homem é quem anónimo por leve
lhe ser o nome próprio traz aberta
a alma à fome

É por dentro desta selva
desta raiva deste grito
desta toada que vem
dos pulmões do infinito
que em todos vejo ninguém
revejo tudo e redigo:
Meu camarada e amigo.